Mesa de centro (Séc. XIX com elementos do séc. XVII)

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Este móvel de decoração extremamente complexa, revela diferentes tempos e tipos de execuções: por um lado o requinte técnico do tampo, a forma de organização com campo central rectangular rodeado por molduras sucessivas, os enrolamentos partindo de uma flor (lotus) central, e o desenho delicado repetitivo e miúdo, assemelham-se de muito perto ao esquema decorativo usado em diversos têxteis indo-portugueses executados para o mercado europeu no período seiscentista. A águia bicéfala coroada, representada de frente e com as asas abertas, ou a albarrada florida, simbolizando o purna ghata, vaso que contém a água fertilizante e a árvore da vida, são também nesse período, outros temas vulgares, da arte indo-portuguesa de marcada inspiração mogol.

Por outro lado, nas pernas da mesa, a resolução plástica das divindades femininas (de rostos com arcos supraciliares muito pronunciados, olhos asiáticos, com as pálpebras superiores cobrindo a metade do globo ocular, e das cabeças onde assentam, ou ainda do ponto de vista técnico, o sistema de encaixe das figuras, a execução dos embutidos e o emprego de outras madeiras, revelam outro tipo de execução ou de recriação bem mais tardia. O mesmo se verifica nas ferragens, executadas no tampo e no aro, com dois tipos de metais diferentes.