Artista de longa carreira parisiense, em cujos horizontes definiu, ao longo dos anos de 1920, um gosto Art Déco que lhe ficou perdurando na memória e no labor, Canto da Maya foi um escultor e estatuário de grande elegância e invenção formal.
Em 1944, porém, Canto da Maya expôs nos salões do S.P.N./S.N.I. um conjunto de esculturas religiosas, determinado pela dolorosa tragédia da morte do seu próprio filho, afogado nos seus Açores natais. A presente obra insere-se na perfeita continuidade de tais práticas, na medida em que com elas se acorda formal e misticamente: figurando a Virgem como uma mulher velada, ajoelhada e descalça, o corpo adivinhando-se suavemente sob a veste enquanto segura o flamejante Sagrado Coração em êxtase de sereno pathos, Canto da Maya realça a finura da modelação pelo recurso a uma estilização gráfica de matriz ainda Art Déco, particularmente evidente no motivo das pregas onduladas que ritmam o véu e o manto.