Raoul Dufy começou com uma prática pictórica inicial de raiz impressionista, depois receptivo às influências fauvistas e ainda cortejador breve de um Cubismo singular entre 1908-12. A partir de 1920, focou-se numa pintura altamente decorativa caracterizada por contornos caligráficos e flexíveis e, sobretudo, pelo emprego generoso de zonas de cor.
A cor adquire na sua obra um papel preponderante em detrimento das figuras e tal consciência desembocaria num processo pictórico pessoal que o próprio Dufy designou, em 1944, como “pintura tonal”, na qual cada pintura é dominada por uma cor primária. É o que se observa nesta obra, na qual o vermelho se sobrepõe às duas outras cores primárias utilizadas, o azul e o amarelo.
A memória de Matisse não se encontra longe deste trabalho, quer pelo intimismo do tema proposto, um nu feminino estirado no atelier com volúpias de odalisca, quer pelos contrastes cromáticos, como ainda pela caligrafia pictórica mais espontânea das pinceladas empastadas do divã, numa sugestão de arabesco de grande elegância.