Jean Lurçat - Tapeçaria "La Mare aux Étoiles" (1955)

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Artista largamente autodidacta, Jean Lurçat evoluiu da pintura, que praticou inicialmente sob a influência do Cubismo e, ao longo dos anos 30, do Surrealismo, para a tapeçaria. Profundamente impressionado, em 1939, pelo “Apocalipse de Angers”, Lurçat foi o responsável pela recuperação daquela arte em França reorganizando no ano seguinte, juntamente com M. Grommaire, a manufactura de tapeçarias de Aubusson. Foi em Aubusson que Lurçat aprendeu verdadeiramente o ofício de tapeceiro, redescobrindo e renovando as técnicas tradicionais, classificando as cores e reduzindo-lhes o número e, sobretudo, atraindo jovens criadores para um domínio que, até então, vivia exclusivamente da reprodução de motivos antigos.

Ninguém, porém, serviu melhor que o próprio Lurçat a renovação da tapeçaria contemporânea. Dotado de um sentido extraordinário de elegância, Lurçat desenvolveu ao longo dos anos 50 o melhor da sua produção, da qual a presente obra constitui um testemunho eloquente: uma cercadura vegetalista em estilização flamejante, característica do seu labor, enquadra um firmamento estrelado, verdadeiro céu de tapeçaria, no qual paira suspenso o motivo de um caprídeo, também ele flamejado. O requinte formal manifestado associa-se exemplarmente à exaltação cromática e ao pleno sentido decorativo, justificando a aclamação universal que Lurçat granjeou e influência que exerceu, inclusive em Portugal, onde o neo-realista Mário Dionísio o considerou justamente “o mago da lã” e onde o pintor-tapeceiro Guilherme Camarinha foi particularmente sensível às suas propostas, através dos numerosos cartões que deu para a manufactura de tapeçarias de Portalegre.