Constituída integralmente por obras de arte doadas e criteriosamente seleccionadas, esta original colecção teve início numa primeira recolha de obras de arte religiosa junto de igrejas e antiquários do Distrito de Viseu. Após uma primeira exposição realizada em 1953, em instalações provisórias do Museu do Caramulo, tornou-se evidente a necessidade de continuar a alargar a colecção e construir um edifício próprio, o que viria a acontecer mais tarde, com a construção deste museu desenhado pelo arquitecto Alberto Cruz. Seguiu-se uma apresentação em Lisboa, em 1956, no Palácio Foz, onde já se incluíam as Tapeçarias à Maneira de Portugal e da Índia e a Garrafa de Jorge Álvares, alguns dos principais ex-líbris da colecção.
Do Antigo Egipto até à actualidade, a colecção do Museu do Caramulo percorre a História da Arte através das escolhas e do gosto pessoal de Abel de Lacerda, influenciado pela época histórica do chamado Estado Novo.
Neste conjunto reúnem-se algumas obras que ilustram a diversidade e a riqueza de uma colecção pautada pela qualidade e não pela quantidade. Uma das peças mais originais neste núcleo é um baú açoriano do século XVII, exemplar pouco comum quer pela decoração geométrica, quer pela forma curva da tampa, sendo por isso mais um dos 20 ex-líbris da colecção de arte do Museu do Caramulo.